Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

15- Atirados para um comboio

(continuação de 14- A partida para o Leste de Angola)


Depois, fomos atirados para um comboio que nos levaria até ao Luso.


Foram quase dois dias em carruagens / vagões miseráveis criados à boa maneira inglesa para pessoas do terceiro mundo.


Eram os chamados Caminhos de Ferro de Benguela.


Viajámos no "Mala" dos CFB comboio de passageiros e correio rumo ao leste, (diziam que ainda havia o "Camacove", para mercadorias e para indígenas), cruzámos Bela Vista, Chinguar, e Silva Porto, onde fizemos uma paragem, prosseguindo viagem já noite dentro até Munhango, Cangumbe e Luso.

 

 


Falava-se que no Munhango teria nascido o Chefe do Galo Negro (UNITA), Jonas Savimbi e que os ataques poderiam acontecer a qualquer momento.

 


As carruagens com bancos de madeira, alguns longitudinais iam com lotação a mais, em grandes molhos de corpos, de braços, de pernas, de armas e de porcaria (líquidos de odor duvidoso, restos de latas de conserva e outros detritos espalhados pelo chão).


Com o calor, tudo isto dava a volta às tripas e de tal forma que o meu cão, que dava pelo nome de “buda” (um pastor alemão), deixou de se alimentar.


A viagem estava a ser lenta, impessoal e sem um mínimo de dignidade.

 

Praticamente não havia contactos com os nossos superiores.
 

Num determinado troço do percurso, a seguir à Vila de Cangumbe e até à povoação de Chicala, ainda a algumas horas da chegada ao Luso, foi necessário redobrar a segurança. Havia a possibilidade do comboio ser alvejado ou de haver minas colocadas na linha.
 

Finalmente, depois de muito cansaço, da permanente falta de higiene e da fome acumulada, chegamos ao Luso.


Aí comi uma refeição (paga do meu bolso) que ainda hoje consigo ver na mesa. Era um bife, um grande bife com batatas fritas, três ovos estrelados e uma garrafa de vinho verde Gatão.
 

publicado por Alto Chicapa às 14:41

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De Filomena Gomes Camacho a 30 de Outubro de 2013 às 23:11
O IMBONDEIRO

Angola é tao inexplicavelmente inebriante que, para comprova-lo, teríamos que mergulhar no seu misticismo!...
Em cada por do sol…um arroubo!
Em cada aroma…a embriaguez dos sentidos!
Em cada cor…o êxtase!
Em cada curva de estrada…o fascínio!
Em cada história…a magia de um enredo!...
De tanto o que deveríamos recordar fixemos, a nossa memória, para aquele retalhinho de reminiscência onde permanece afivelado o imbondeiro .
O seu porte é vigoroso podendo, sua altura, atingir 20 metros e seu diâmetro 10 metros!
O seu interior é oco. Bastantes vezes utilizado: para armazenamento de cereais, como cisterna de água, como retenção de prisioneiros, usado como sepultura…
A singularidade desta árvore está na sua bizarra aparência!
A configuração é impar! Corta-la está fora de cogitação!
Muitas histórias estão ligadas a ela…
Uma lenda antiga narra que, pela sua cobiça pelas outras árvores, fora punida - pelos deuses - e virada de “cabeça” para baixo.
A copa tem a aparência de raízes ou de braços retorcidos, erguidos em suplica.
Contudo, apesar desta punição, fora-lhe atribuída a simbologia da Humanidade e da Vida, e também a beatitude da coneccão da humanidade com a divindade.

Filomena Gomes Camacho.

Londres, 15/06/13
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