Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

49- Uma jiboia e o ataque do Buda

(continuação de 48- Formigas quissongo e a fuga dos carregadores)

 

Nas 79 operações e patrulhamentos que o 1º grupo de combate realizou, onde não houve mortes, feridos ou acidentados, conhecemos dificuldades e muitas contrariedades, mas a sorte nunca nos abandonou porque fomos sempre audazes, disciplinados e prudentes.
Restaram, para recordar, algumas situações curiosas, como por exemplo:


A operação realizada na margem esquerda do rio Chicapa onde fomos confrontados com uma grande cobra.
Acampámos numa zona mais elevada onde começava o arvoredo, sempre o local mais seguro.
Quando um grupo nos ia abastecer de água com os cantis, ficaram estáticos a meio do percurso e frente a frente com um monstro de cabeça levantado à altura de um homem.
O Cassiano, o último do grupo voltou atrás a pedir ajuda.
Estávamos a ser postos à prova numa situação que era inédita e que teve que ser tratada com pinças.
Com algum sangue frio, abati o animal com dois tiros na cabeça, um ao lado do outro.
Mais calmos, e passada a surpresa, confrontámo-nos com uma jibóia, de seis / sete metros de comprimento e palmo e meio de largura, um bicho lindo e respeitável, daqueles que só se vêm nos filmes.
Sem o sabermos, a sorte esteve do nosso lado, porque só não fomos atacados ou mordidos devido ao facto de a cobra estar com uma cabra inteira dentro da barriga, com cornos e tudo.
No final, aproveitou-se tudo e até provei um bifinho, que sabia a peixe de rio.
Não sou, nem nunca serei, um caçador de troféus, mas guerra é guerra, ou se mata ou se morre.

 

O ataque do meu cão Buda sobre três nativos que tentavam passar dissimulados.
Estávamos muito afastados do nosso quartel, junto à nascente do rio Chiumbe, numa zona de guerra onde era proibida a circulação de civis.
Quando percorríamos um trilho, e num abrir e fechar de olhos, o cão sai disparado sobre três indivíduos, hoje já não me lembro bem como é que isto tudo acabou, mas ainda me recordo que conforme o cão avançava ouviam-se vários gritos, Buda euá, Buda euá, Buda euá … (Buda vai-te embora).
Entendi que conheciam o cão, mas nunca cheguei a perceber a ausência de tiros e a nossa permissão para aquela fuga.
Hoje, sinto que o Buda, um cão conhecido e temido na nossa zona, foi bom para nós e para eles.
 

( a seguir - Já passei por aqui e um condutor nervoso)

 

publicado por Alto Chicapa às 14:57

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