Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

15- Atirados para um comboio

(continuação de 14- A partida para o Leste de Angola)


Depois, fomos atirados para um comboio que nos levaria até ao Luso.


Foram quase dois dias em carruagens / vagões miseráveis criados à boa maneira inglesa para pessoas do terceiro mundo.


Eram os chamados Caminhos de Ferro de Benguela.


Viajámos no "Mala" dos CFB comboio de passageiros e correio rumo ao leste, (diziam que ainda havia o "Camacove", para mercadorias e para indígenas), cruzámos Bela Vista, Chinguar, e Silva Porto, onde fizemos uma paragem, prosseguindo viagem já noite dentro até Munhango, Cangumbe e Luso.

 

 


Falava-se que no Munhango teria nascido o Chefe do Galo Negro (UNITA), Jonas Savimbi e que os ataques poderiam acontecer a qualquer momento.

 


As carruagens com bancos de madeira, alguns longitudinais iam com lotação a mais, em grandes molhos de corpos, de braços, de pernas, de armas e de porcaria (líquidos de odor duvidoso, restos de latas de conserva e outros detritos espalhados pelo chão).


Com o calor, tudo isto dava a volta às tripas e de tal forma que o meu cão, que dava pelo nome de “buda” (um pastor alemão), deixou de se alimentar.


A viagem estava a ser lenta, impessoal e sem um mínimo de dignidade.

 

Praticamente não havia contactos com os nossos superiores.
 

Num determinado troço do percurso, a seguir à Vila de Cangumbe e até à povoação de Chicala, ainda a algumas horas da chegada ao Luso, foi necessário redobrar a segurança. Havia a possibilidade do comboio ser alvejado ou de haver minas colocadas na linha.
 

Finalmente, depois de muito cansaço, da permanente falta de higiene e da fome acumulada, chegamos ao Luso.


Aí comi uma refeição (paga do meu bolso) que ainda hoje consigo ver na mesa. Era um bife, um grande bife com batatas fritas, três ovos estrelados e uma garrafa de vinho verde Gatão.
 

publicado por Alto Chicapa às 14:41

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17 comentários:
De vitor sequeira martins a 10 de Abril de 2009 às 21:27
Meu caro, deixe-me corrigir o nome de uma das localidades por si referidas: CANGUMBE e não cambumbe . Estive lá dois longos anos - 1973/74, com passagem, por reforço, de alguns meses, pelo Lumege .
De Alto Chicapa a 11 de Abril de 2009 às 22:45
Agradeço a sua amabilidade.
Agradeço também a oportunidade que me acabou de dar para repor a palavra correcta.
Efectivamente é assim... mas saiu aquela gralha.
Até sempre,
Carlos Alberto Santos
De Filomena G. Camacho a 29 de Outubro de 2013 às 09:44
Perdoem-me mas nao resisti postar este artigo. Gostei do vosso site.
ONGUEVA (saudade, em Português)

Ouve dizer-se que a palavra “saudade” é exclusivamente portuguesa, sem tradução em outras línguas. Contudo, em Angola, também “saudade” é traduzida, na Língua Umbundu , pela palavra ongueva ” prova de uma evidente conexão existente entre Angola/Portugal países que, numa miscigenação, não apenas física mas também da alma, tem caminhado juntos.
Pergunte-se a cada Angolano se ongueva ” não será algo que - como uma febre de feitiço, lançada por quimbanda ” - dá aquela sensação que transcende, tornando-a incontrolável e impotente de amenizar!?
A quem lá tenha nascido ou lá tenha permanecido, por longo ou curto período de tempo, da sua vida, sabe do que pretendo verbalizar.
A saudade é uma síndrome que a medicina não pode actuar…
A saudade dói!
A saudade é persistente.
A saudade, ainda que branda, corrói. Torna-nos prisioneiros…
Recordar Angola, com o coração a transbordar de ongueva ” transformamo-la numa tela viva de imagens, de sons, cores, de cheiros…
Nas imagens revivemos:
Paisagens de vegetação luxuriante; extensões desérticas; rios caudalosos; cascatas gigantescas e abruptas; cidades de grandes avenidas - com grandes néons dos reclames da: CUCA, NOCAL, CINE-TEATRO, HOTEL, BANCO…
Das casas iluminadas pelo “petromax”, pelo candeeiro a petróleo, pelo fogo, pelas estrelas cintilantes do céu…
Das picadas sem asfalto…
Relembramos o som:
Das guitarradas; da música de farras…
Relembramos os sons a rasgar a noite - onde o luar, de um céu diáfano de luz, dava a impressão de uma abóboda de catedral, imensa, onde apetecia ajoelhar e elevar uma oração…tamanha a beatitude e êxtase que invadia os sentidos.
Do coaxar das rãs, do gri-gri, do chilreios da passarada que, em sinfonia, deixando ecoar seus maviosos acordes!…
Do batucar longamente frenético e, tíbio depois, do batuque; o dedilhar do quissanje; do chingufo…
Os estalidos e os rumorejares do fogo das queimadas…
Das cores:
O tom variegado e ímpar com que Deus, ao colorir Africa, não fez questão em poupar nas aguarelas mas, deliberadamente, as espargiu como um pintor contagiado pelo magnetismo dos cambiantes, dos matizes… e, prodigamente, tornasse tudo num colorido, variado, inebriante e mágico...
A amálgama dos verdes!… O matizado das flores, vegetais, frutos, animais!…
A cor vermelha da terra!
Tanta combinação harmoniosa…deslumbrante!...
Os cheiros:
O cheiro da terra, túmida… grávida duma flora incrivelmente diversificada e bela!
O cheiro agridoce das flores, dos frutos, da terra molhada…
O sol quente a mordiscar a tez queimada…
Ongueva, aiué, ongueva !

Filomena Gomes Camacho
Londres, 14/04/13
(poetisa Angolana)
De Carlos Alberto Santos a 29 de Outubro de 2013 às 23:47
As suas palavras, que agradeço, foram, são uma aula temática e... de vida.
Fiquei curioso... vou ler os seus livros Grito frente ao mar e Poemas nossos.
Um abraço do tamanho de Angola.

Pode consultar o nosso site em www.cc3485.no.sapo.pt
De Filomena G. Camacho a 30 de Outubro de 2013 às 12:42
Carlos Alberto Santos. agradeço as palavras, agradeço o carinho.
Um dia excelente e...ate sempre.

Filomena G. Camacho
De Filomena Gomes Camacho a 30 de Outubro de 2013 às 12:44
PALANCA NEGRA GIGANTE


A Palanca Negra Gigante é uma rara subespécie de antílope, endémica de Angola, apenas encontrada na Província de Malanje, área do Parque Nacional de Kangandala , criado em 1963, com uma extensão de apenas 63 mil hectares, sendo este o parque mais pequeno do Pais. Incluem-se, nesta área, para além da palanca nega gigante: a palanca vermelha, a quissema , a sitatunga , o nunce , o golungo , o bambi , o seixa , o javali, o porco do mato e muitos mais.

A palanca negra gigante é considerado o mais belo antílope do mundo pela sua atractiva elegância. Distingue-se pela longura de seus cornos que atingem o comprimento de 1,65 metros e pelas características das manchas brancas na cabeça. A cor preta é dominante, no macho, na idade adulta.
Segundo a mitologia africana, a palanca simboliza: beleza, vivacidade, velocidade…
Depois da independência, Angola passou a adoptar este belo animal como símbolo nacional:
- O logotipo da Companhia Aérea de Angola, a TAAG , ostenta a cabeça da palanca negra gigante (um macho adulto).
- Algumas notas da moeda nacional têm este símbolo impresso.
- A selecção de futebol, angolana está representada pelo símbolo da palanca negra “Os Palancas Negras” .
- A mascote do CAN (Taça das Nações Africanas Orange Angola 2010) também é apresentada Palanquinha ”
A Palanca Negra Gigante, tem o nome cientifico de Hippotragus niger variani ), dado em honra ao seu “descobridor” Frank Varian , engenheiro belga ao serviço dos Caminhos-de-Ferro de Benguela. Frank Varian viu, pela primeira vez, este belíssimo antílope, no ano de 1909 e, posteriormente, em 1916, foi registado e reconhecido pela ciência.
Supôs-se durante bastante tempo que, devido a guerra, esta espécie tivesse ficado extinta. Mas em Março de 2005 um grupo do “Centro de Estudos e Investigação Científica CEIC ) da Universidade Católica de Angola UCAN )” tendo como líder o Dr. Pedro Pinto Vaz, que é Director Luso-Angolano da Fundação Kissama , foram obtidas provas, registadas em fotografias, de uma manada, no Parque Nacional de Cangandala situado a sul de Malanje. Estas provas vieram trazer tranquilidade a todas as inquietações. Contudo, cientistas não deixam de considerar a Palanca Negra Gigante em perigo crítico de extinção.

Filomena Gomes Camacho
De Carlos Alberto Santos a 30 de Outubro de 2013 às 23:01
Obrigada
Ate sempre
De Filomena Gomes Camacho a 30 de Outubro de 2013 às 23:11
O IMBONDEIRO

Angola é tao inexplicavelmente inebriante que, para comprova-lo, teríamos que mergulhar no seu misticismo!...
Em cada por do sol…um arroubo!
Em cada aroma…a embriaguez dos sentidos!
Em cada cor…o êxtase!
Em cada curva de estrada…o fascínio!
Em cada história…a magia de um enredo!...
De tanto o que deveríamos recordar fixemos, a nossa memória, para aquele retalhinho de reminiscência onde permanece afivelado o imbondeiro .
O seu porte é vigoroso podendo, sua altura, atingir 20 metros e seu diâmetro 10 metros!
O seu interior é oco. Bastantes vezes utilizado: para armazenamento de cereais, como cisterna de água, como retenção de prisioneiros, usado como sepultura…
A singularidade desta árvore está na sua bizarra aparência!
A configuração é impar! Corta-la está fora de cogitação!
Muitas histórias estão ligadas a ela…
Uma lenda antiga narra que, pela sua cobiça pelas outras árvores, fora punida - pelos deuses - e virada de “cabeça” para baixo.
A copa tem a aparência de raízes ou de braços retorcidos, erguidos em suplica.
Contudo, apesar desta punição, fora-lhe atribuída a simbologia da Humanidade e da Vida, e também a beatitude da coneccão da humanidade com a divindade.

Filomena Gomes Camacho.

Londres, 15/06/13
De Filomena G. Camacho a 30 de Outubro de 2013 às 23:41
Ola Carlos Alberto Santos

Perdoe o entusiasmo de ter postado mais um artigo sobre o Imbondeiro ". No da "PALANCA" ocorreu um lapso. Não é de minha autoria mas uma informação extraída do google . O que escrevi, sobre a PALANCA foi, por lapso, trocado, como supracito. Perdoe a ocorrência.

Filomena
De Carlos Alberto Santos a 1 de Novembro de 2013 às 22:39
Obrigada, foi tudo muito bom.
De Anónimo a 3 de Novembro de 2013 às 19:05
OS TCHOKWES



Os Tchokwé s são descendentes do Império Lunda Tchinguri rei dos Imbangalas e do Império de Muata Tchiniama , mais tarde deserdados pela irmã Lwéji a Nkondi que veio a ser rainha dos Lunda. Estes, por sua vez, eram uma ramificação do povo Bantu .

O povo Bantu surgiu pelo Oeste, na bacia do Rio Congo, abrangendo os territórios do Gabão, República do Congo, República Democrática do Congo e Angola.

Os Lundas ou Tchokwé s , que se fixaram em Angola, ocuparam as zonas limítrofes da Zâmbia - parte Leste - estendendo-se, posteriormente, ao longo do rio Zambeze até ao rio Kuvango , nas zonas do Moxico, Kuando Kubango , Huila e Bié
Este povo chamado pelos Ovimbundos de N’ganguela é constituído pelas seguintes tribos:
Ambuelas ou Mbwelas , Ambuila-Mambumbos , Avicos , Bundas, Canachis Kamaxis , Cangales , Ganguelas ou Ganguilas , Genguistas , Iahumas , Lovales , Luimbes , Lutchazis , Lwénas , Luios , Mbandes , Ndungos , Ngonoielos ou Ngonjelos , Nhengos Nyengos e Nicoias Nkoyas .

Entre estes povos existem grandes semelhanças anatómicas e linguísticas.
Há uma ligação genealógica entre Nganguelas Tchokwes , com o povo Ruud da Namibia e com o povo Tchokwé do sul da Lunda.

Os Tchokwé s formavam um exercito bem treinado tendo conquistado várias regiões na zona do Luéna . Praticavam uma técnica de luta com bastante semelhança a chamada, pelos Brasileiros, de “capoeira”. (Não esquecer que foram levadas, para o Brasil, muitas das praticas e cultura do povo Angolano durante a migração de Angola para aquele Pais.)

Foram exímios nas técnicas de fundição de ferro, consideradas bastante avançadas por muitos estudiosos, ficando apenas aquém das siderurgias das indústrias modernas. Também são grandes artesãs em cerâmica negra, no polimento e no envernizamento. Esta cerâmica está patente na criação das máscaras exibidas durante os ritos da iniciação ou rituais da puberdade para a vida adulta.

Sem dúvida foram bastante notórios em escultura.

Mwnaa-Pwo é uma mascara usada pelos dançarinos masculinos nas cerimonias da puberdade.

Kalelwa , poli-cromatica , usada nos rituais da circuncisão.

Tchikungu e Tchihongo simbolizam imagens da mitologia de Lunda Tchokwe . figuras a representar a princesa Lweji e o príncipe da civilização Tchimbinda-Ilunga.

A escultura do "Pensador de Tchokwe " é uma obra-prima na harmonia e simetria da linha.

O Lunda Tchokwé é bastante conhecido pela eloquência da sua habilidade em artes plásticas superiores influenciando, grandemente, a Europa.

Pablo Picasso inspirou a sua arte, em cubismo, através deste povo.


Filomena Gomes Camacho.
Londres, 02/11/13
De Filomena Gomes Camacho a 11 de Novembro de 2013 às 09:52
HISTORIA DE ANGOLA

(por Filomena Gomes Camacho)

Embora nos tempos primórdios não houvesse uma História escrita, cada pessoa idosa tentou constituiu um alter-ego fidedigno ao transmitir, à sua posteridade, toda uma história verbal, tentando preserva-la verdadeira e incólume.
Toda a historia, ao passar de geração a geração, de uma forma verbal, vai sendo, paulatinamente, amalgamada com um pouco do cunho pessoal dos narradores, pois é sempre notória a espantosa fertilidade da imaginação dos expositores…

A grande Família Africana.
A primeira população a invadir Angola foi a BANTU, a chamada “expansão BANTU”.
Esta população era oriunda da Africa Central, tendo-se fixado a Norte e Sul do Rio Zaire e a Noroeste do território Angolano. Este povo dominava, com grande engenho, a siderurgia do ferro. Mais tarde, vieram a formar o povo BAKONGO de língua Kikongo.
Outros povos, talvez atraídos pela grande espacialidade ou riqueza da flora e da fauna atravessaram o Alto Zambeze até o Cunene, formando os designados NGANGUELA, os OVAMBO e os XINDONGA.

No ano de 1568, há uma nova invasão, vinda do Norte, pelo povo chamado JAGAS.
Na luta contra os BAKONGO estes, tendo recuado, apossaram-se da região de Kassanje.
No Seculo XVI Angola foi invadida por mais três povos:

Os NHANECAS ou VANYANEKA.

OS HEREROS ou OVAHELELO

Os PORTUGUESES.

Os NHANECAS ou VANYANEKA, vindos pelo sul de Angola e percorrendo toda a região do Cunene, acamparam no planalto da Huíla.

OS HEREROS ou OVAHELELO vindos do Centro de Africa – após terem atravessado os Grandes Lagos – caminhado pelo extremo leste de Angola e atravessado todo o planalto do Bié fixaram-se nas regiões que medeiam o Deserto do Namibe e a Serra da Chela, no sudoeste Angolano. Este era um povo ligado a pastorícia.

Os PORTUGUESES, europeus oriundos de Portugal, instalam-se no local que passaram a chamar São Paulo da Assunção de Luanda, a actual cidade de Luanda.

No século XVIII os OVAMBOS ou WAMBOS e os QUIOCOS ou TCHOKWES entram em Angola.

Os OVAMBOS vindos do baixo Cubango estabelecem-se entre o Alto Cubango e o Cunene. (Estes eram grandes técnicos na arte de trabalhar o ferro).

Os QUIOCOS OU TCHOKWES tendo abandonado Catanga e atravessado o rio Cassai instalaram-se, inicialmente, na região da Lunda, no nordeste de Angola, fazendo mais tarde migração para a parte Sul.

Por último, no século XIX chega um povo vindo de Orange África do Sul, em 1840, tendo por chefe um destemido guerreiro chamado Sebituane. Instala-se no Alto Zambeze e é chamado de CUANGARES ou OVAKWANGALI.
Este povo também ficou conhecido por MACOCOLOS. Do Alto Zambeze alguns fixaram-se no Cuangar Sudoeste Angolano, entre os rios Cubango e Cuando.
Eram frequentes guerras entre estes povos. Migrantes mais tardios combatiam os grupos já estabelecidos para lhes usurpar as terras.
Muralhas, a volta das sanzalas, formavam fortalezas. Podemos observa-las em certos lugares, de Angola, obviamente em ruínas, antigas muralhas, em pedra, especialmente, no planalto do Bié e no planalto da Huíla. Nestes mesmos lugares existem túmulos construídos em pedra e galerias de exploração de minério que notabilizam uma civilização que nos pode deixar estupefactos tal o seu avanço !

Na Lunda Zaire e Cuangar foram encontrados, feitos pelos homens do Paleolítico, instrumentos de pedra e de outros materiais. No Deserto do Namibe existem gravuras rupestres desenhadas nas rochas.
As fábulas e provérbios eram o género literário mais generalizado entre o povo.
As fábulas visualizavam sempre enaltecer o mais fraco – que vencia, pela sua argúcia, tenacidade… o mais forte e prepotente.
Os protagonistas eram sempre animais.
O poema era cantado ao som do batuque e do quissange.

Filomena Gomes Camacho
De Filomena Camcho a 10 de Dezembro de 2013 às 12:30


KISANJI, QUISSANGE OU TYITANZI.

A música é uma arte ligada de forma bastante profunda à cultura de muitos povos, chegando mesmo a fazer parte intrínseca de suas vidas.

A música tem a sua prática desde a pré-historia.

Os sons da natureza talvez tenham, de certa forma, despertado no homem, a vontade ou necessidade de exteriorizar os sentimentos ou estados de alma com manifestações sonoras.

Não existem civilizações ou agrupamentos que não possuam seus próprios ritmos e até mesmo seus próprios instrumentos musicais.

Nesta minha dissertação sobre música e instrumentos musicais elejo, mais uma vez, Angola, com O KISANJi, QUISSANGE OU TYITANZI, por ser um instrumento aborígene daquele Pais.

O fabrico do Kisanji não é dispendioso e o seu transporte é leve.
É um companheiro, sempre à mão, nas longas caminhadas…o confidente de aflições, de desejos recalcados, da solidão, da saudade… Este instrumento também é usado como música de fundo nas conversas à volta da fogueira.
O som do kisanji parece lúgubre, mas suas notas ecoam fluídas.

Em muitos outros Países Africanos existem réplicas, deste instrumento, com bastante similaridade mas com certas diferenças no seu uso e no fabrico.
Na África Central e no Congo é chamado de sansa e apenas fabricado com sete lamelas, e colocado numa caixa de ressonância.

Em Moçambique é chamado de mbira. Construído por um pedaço de tábua e com uma fileira de quinze lamelas, na parte superior, e sete na parte
inferior. Para amplificação do som a mbira é colocada dentro de uma cabaça.

Em Uganda é chamado de kalimba ou karimba.

Nos Camarões de mamgabeu.

Na Serra Leoa por kondi.

No Zimbabué por likembe, budongo, mbila e por mbira .

A influência africana espalhada no Brasil - pelos escravos Angolanos – também levou o kisanji, conhecido pelos Brasileiros por mbira.

No ano de 2011, pelo desfile das Misses de Angola, foi escolhido, o kisanji, para
representar o património cultural nacional tendo feito ecoar seus acordes durante o desenrolar daquele evento.

Filomena Gomes Camacho.
De Carlos Alberto Santos a 10 de Dezembro de 2013 às 22:47
Lindo...
Obrigada
De Anónimo a 29 de Maio de 2014 às 01:12
LÍNGUA falada em Angola

A adopção da língua, em Angola, foi muito mais alargada, entre nativos e colonizadores que em quaisquer outras partes de África.
Entre os anos de 1575 a 1592 estima-se que tenham desembarcado, em Luanda, 2.340 portugueses. Um grupo de, aproximadamente, 300 pessoas permaneceu naquela localidade; cerca de 450 deles foram ceifados pela doença e pela guerra, e o restante disperso pelo interior.

Uma grande miscigenação foi evidenciada, entre a população, pois o número de mulheres europeias era bastante reduzido. Às crianças, mestiças, criadas pelas mães, fora-lhes ensinada uma língua amalgamada da europeia e da língua nativa. Muitas palavras tornaram-se não apenas empréstimos lexicais como também gramaticais nas duas línguas. Assim surgiu, entre estes dois povos, uma associação inerente de um contexto linguístico premente a ser reconhecido, para que a comunicação fosse um instrumento a permitir facilidade na comunicação.

O Kimbundu, falado nas regiões de Luanda, está definido como tendo bastantes palavras adaptadas da morfologia portuguesa. Contudo, a pronuncia dessas palavras sofreu uma alteração porque, no Kinbundu, não existe a ligação de duas consonantes numa só palavra, e muitas letras sofreram uma adaptação fonética, formando uma corruptela da palavra. Por exemplo as letras b, g, d, t, j… pronunciam-se com um som nasal.

Ex:
Balde = mbáliti
Banco = mbangu
Bando = mbandu
Barato = mbalatu
Batata = mbatata
Bateria =mbatalia
Castigo =k axitiku
Cavalo = kavalu
Cebola = sabola
Ensinar = kuxinala (-xinala)
Escola = xikola, sikola
Escova = xikova
Esmola = simola
Febre = févele
Ferida =filida
Ferramenta = felamenda
Ferro = felu
Fermento=felemendu
Fruta = fuluta
Gramática = galamátika
Graça = ngalasa
Guarda = ngualida
Harpa = álapa
Hora = ola
Janela = njanela
Jogo = joku
Manteiga = mateka
Padre = pátele
Perda = péleka
Porco = póloko
Portugal = Putu
Preço = pelêsu
Prego = peleku
Primo = pilimu
Promessa = polomesa
Tanque = nditangi (leia-se nntangui)
Trigo = tiliku
vontade = nvondadi

Muitas mais palavras poderiam ser acrescentadas.

Por outro lado, a Língua Portuguesa, surge num “Português Vernacular” de Angola,
Vejamos algumas palavras:

“ bazar, bunda,cacimbo, calema, cacimbo, caçula, candogueiro,camba, cambolar, cambuta, capanga, catinga, caputula, cota, dende ,funji, gingar, imbamba, jindungo, jimbo, jimbolamento, jimbolo, jimbo, kubata, missanga, mokambo, moleque, quimbo, quilombo, quitanda, samba, tanga, missanga, mocambo, moleque, munda, mupanda, mutula, muzungo, pupu, quibuca,quilombo…

Filomena Gomes Camacho.
Londres, 26/05/14
De Anónimo a 29 de Maio de 2014 às 01:15
HOMENAGEM.

(Aos Militares que um dia partiram para o Ultramar)

Carlos, Manuel, José…(não importa o nome) e seus companheiros, foi penetrando para o interior daquele navio enorme, ancorado no rio Tejo.
Eram grandes as letras que destacava o nome do paquete: VERA CRUZ.
Pouco depois todos se acotovelavam, tentando visualizar o cenário exterior, para acenar à multidão que se distanciava no cais de Lisboa.
VERA CRUZ era, na verdade, um navio enorme, requisitado nos anos de 1961 - tal como outras unidades, da Marinha Mercante Portuguesa, pelo governo português - para transporte de tropas e material bélico com destino ao ultramar.
O seu peso bruto era de 21.765 toneladas; o comprimento de 185, 75 metros; a largura de 23 metros; e 15,80 metros de pontal. Atingia a velocidade máxima de 42,6 quilómetros hora, sendo o consumo de combustível – óleo - de 140 toneladas e, diariamente, gastas 200 toneladas de água.
A sua capacidade era para alojar 1.242 passageiros com três classes.
No interior havia bares, cinema, jardim de inverno, duas piscinas, hospital, e era equipado com ar condicionado.
Carlos – (chamemos-lhe assim) deslumbrava-se com a imponência, com a construção…daquele navio, onde ele agora encetava a viagem que o marcaria para toda a vida…viagem que, praticamente, já havia iniciado desde o dia em que fora mobilizado, agrupado ao batalhão, e lhe fora atribuído um número de registo.
Viagem, praticamente, iniciada desde o dia em que lhe fora ministrado todo o tipo de estratégia - de como sobreviver em África - e quando recebera o camuflado e lhe foram dadas as vacinas…
Recordou-se dos dez dias gozados em casa, antes daquela partida, dias concedidos para se despedir da família, dos amigos, arranjar uma madrinha de guerra e fotografar, mentalmente, cada rosto querido, cada lugar do seu lar, da sua cidade.
Sentimentos confusos e perturbantes iam-lhe dando a sensação de uma gravata apertada no pescoço.
Sentia desejos de chorar.
Sentia desamparo, solidão, incerteza…
Indubitavelmente, Vera Cruz, ia descrevendo, na sua trajectória, uma rota de ida…
Para quantos dos que, viajavam naquele navio, iria ser apenas a viagem de ida!?
Estremeceu!
Na sua mente, em turbilhão, as ideias começaram a tumultuar-se! E, num misto de entusiasmo e desânimo…não visualizava senão apreensão! Como gostaria de ter feito aquela viagem programada…desejada… recreativa…como tantas viagens que fizera acompanhado pelos seus pais, familiares, amigos!…
Esta era uma viagem diferente!
Não programada…mas imperiosa de ser feita!
Não desejada…por ser uma missão perigosa!
Não recreativa…pois, a incerteza, era tão patente como o camuflado que envergava!
Carlos iniciava a sua carreira militar.
Um verdadeiro desafio a nível físico e psicológico!
Um trabalho árduo!
Uma outra faceta da sua vida!...
Uma outra faceta onde iria aprender novas matérias, desenvolver novas capacidades…
Ainda que imaginasse um pouco difícil, a adaptação, ao estilo da vida militar…achava-a cheia de experiências verdadeiramente aliciantes! Enfrentar novos desafios, aprender a superar os seus limites, aprender o valor da camaradagem, fazer novas amizades…eram experiências que, esperava, constituírem factores positivos e empolgantes!
Viajava com desconhecidos que iriam enfrentar, como ele: desafios, perigos, lutas, adaptações…naquele Pais de proporções enormíssimas (catorze vezes e meia maior que o seu)!
Quantos contingentes militares já os haviam antecedido, numa viagem, como aquela, para um fim semelhante, sem que muitos deles tivessem regressado!?
Ou regressado com sequelas traumáticas físicas ou emocionais!?
Ou regressado sem quaisquer sequelas…para fazerem dissertações de vivências incríveis, de episódios arrepiantes!?
Carlos pensava em qual destes quadros se iria agrupar o seu destino...
A algazarra dos colegas começava a abafar o barulho suave, mas também medonho, que o navio ia fazendo ao sulcar aquela imensidão de água. Aguas que, reflectindo a cor do céu, dava ideia de chumbo liquido e, junto à proa, uma brancura espumante a contrastar.
Permaneceu no convéns, por longo tempo, assim como a maioria de seus companheiros.
Carlos imaginava África!...
Imaginava a guerra!…
O seu contingente seguia rumo à guerra do Ultramar...

Filomena Gomes Camacho.
De Carlos Alberto Santos a 29 de Maio de 2014 às 22:40
Obrigada pelo seu belo texto.
Vai ser publicado em NOTICIAS E ESTORIAS, no nosso site em www.cc3485.no.sapo.pt

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