Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

5- Momentos passados no Centro e Escola de Instrução Militar em Mafra

( continuação de 4- Momentos na minha felicidade despreocupada)

 

Tirando raras excepções, quase toda a companhia ia em profundo sono com longos roncos.

 

Era-me impossível dormir num avião com tamanha orquestra militar de militares a caminho da guerra colonial em Angola.
 

Com o lento avançar das horas neste dia 5 de Fevereiro de 1972 os pensamentos vinham em catadupa. Sem parar, revia algumas imagens e recordações de momentos passados.
 

Momentos passados no Centro e Escola de Instrução Militar em Mafra.

 

Quando um major, inchado e cheio de autoridade, me chama de uma ponta da parada. - Nosso instruendo, nosso instruendo, rápido, passo de corrida. - Sim meu major (um sim sempre acompanhado de todo o ritual militar). - Retire este obstáculo do meu caminho, quero passar (eu era um parvo e muito ingénuo, acabadinho de ser retirado da faculdade de um curso de medicina inacabado, estava incrédulo com a situação e com aquele enorme cretino, para mim a parada estava mais que limpa e aquilo era apenas uma pequena ponta de um cigarro com filtro). - Mesmo sem ser fumador e obviamente sem refilar lá tive que apanhar a “beata” e andar com ela no bolso até à formatura do recolher, onde, depois de uma grande retórica e com todos em sentido, fui obrigado a ir deita-la no caixote do lixo e fazer o papel de culpado. No dia seguinte estava de serviço às casas de banho.

 

As patrulhas nocturnas, que eram sempre influenciadas pelo factor surpresa e pela data / hora menos apetecível, realizavam-se nas noites mais escuras e agrestes. Exigiam sempre muito silêncio, caminhava-se durante 4 horas e percorriam-se as estradas nacionais e municipais, os caminhos florestais e até alguns cursos de água nos arredores de Mafra. Normalmente, um grupo de cinco indivíduos tinha que transportar uma barra de ferro com cerca de 20 kg. Mas, o impensável aconteceu. Andava tão cansado numa destas patrulhas que adormeci em pleno andamento. Acabei por cair numa valeta da estrada e acordar à força. O importante disto é que a unidade do grupo funcionou tão bem que mais ninguém se apercebeu.


Também recordo os loucos regressos do fim-de-semana, de Lisboa para a Escola de Instrução Militar em Mafra numa carrinha Renault 4L de um grande companheiro, camarada na altura, o Nuno Saldanha, e que acabaria por vir a ser o futuro alferes sapador do meu batalhão (BT3870) em Angola. Com a nossa juventude e irreverência tudo era feito nos limites.


Já na condição de aspirante a oficial miliciano, foi-me oferecida a possibilidade de escolher quartéis perto de Lisboa para poder continuar a estudar. Fiquei todo contente e agradecido, e ainda me facilitaram uma semana de licença em casa (era uma maravilha e uma malta “porreira”). Mas, o contentamento durou pouco. Logo na segunda-feira seguinte recebo uma carta com uma guia de marcha para me apresentar no quartel em Chaves. Trás-os-Montes esperava-me a cerca de 12 horas de viagem.


 

 

publicado por Alto Chicapa às 13:19

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